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terça-feira, 17 de maio de 2011

Livro: "Introdução ao estudo do método de Marx", de João Paulo Netto

Companheiros e amigos do Lavando Louças,


gostaria de divulgar aqui um livro da Editora Expressão Popular, do prof. João Paulo Netto, "Introdução ao estudo do método de Marx”. E custa apenas R$3,00!!!




Sinopse do Livro


"(...) a questão do método se apresenta como um nó de problemas. E, neste caso, problemas que não se devem apenas a razões de natureza teórica e/ou filosóficas: devem-se igualmente a razões ideopolíticas - na medida em que a teoria social de Marx vincula-se a um projeto revolucionário, a análise e a crítica da sua concepção teorico-metodológica (e não só) estiveram sempre condicionadas às reações que tal projeto despertou e continua despertando. Durante o século XX, nas chamadas "sociedades democráticas", ninguém teve seus direitos civis ou políticos limitados por ser durkheimiano ou weberiano - mas milhares de homens e mulheres, cientistas sociais ou não, foram perseguidos, presos, torturados, desterrados e até mesmo assassinados por serem marxistas.


(...) é preciso levar tal referência sempre em conta, porque uma parcela considerável das polêmicas em torno do pensamento de Marx parte tanto de motivações científicas quanto de recusas ideológicas - afinal, Marx nunca foi um obediente servidor da ordem burguesa: foi um pensador que colocou, na sua vida e na sua obra, a pesquisa da verdade a serviço dos trabalhadores e da revolução socialista".

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Brasil: "todo camburão tem um pouco de navio negreiro"

O IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplica – divulgou hoje um estudo chamado Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira. O estudo pode ser conferido na íntegra no site do Instituto (clique aqui).

Mas as principais conclusões do estudo só confirmaram o que os diversos movimentos sociais e pastorais, ou seja, que negros são a maioria dos brasileiros, que morrem cedo, entre 18 e 25 anos, e que essas mortes são principalmente devidas a causas externas (entenda-se aqui, assassinatos). E qual é a causa disso: não há outra senão o fato de que os negros são a maioria dos pobres no Brasil, são excluídos da sociedade, são sempre tratados como bandidos...

O gráfico abaixo, retirado do Comunicado do IPEA (citado acima), mostra claramente como há uma diferenciação racista na realidade brasileira. E como no Brasil, por questões históricas, falar de raça é quase a mesma coisa de falarmos em classe, podemos mesmo dizer que o que há, no fundo, é uma diferenciação classista na realidade.



Sabendo desssa realidade que o estudo veio a confirmar, a Pastorais sociais ligadas à juventude (Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude do Meio Popular e Pastoral da Juventude Rural) estão puxando uma Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens.




O vídeo a seguir está disponível no YouTube e fala sobre a Campanha:






Para finalizar, gostaria de deixar aqui mais um vídeo da música que sempre me vem na cabeça quando se está falando de racismo, altos índices de assassinatos de negros. Lembro-me dessa música sempre que escuto alguém repetindo a ideia de que no Brasil não há racismo, que vivemos numa democracia racial e por ai vai. Trata-se da música do Rappa, “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.


Brasil: Que País é esse?

por Roberta Traspadini, no site do Brasil de Fato:


“nas favelas, no senado/Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita constituição/ Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?” (Renato Russo)

12/05/2011
Roberta Trapadini

O IBGE acaba de lançar seu relatório parcial sobre as características da sociedade brasileira em 2010.

Estes dados nos mostrarão se a lógica de modernização via progresso tecnológico como sinônimo de desenvolvimento proporcionou à uma parte expressiva da população brasileira, um modelo de desenvolvimento com qualidade de vida garantida, conforme o artigo 5º. da constituição que “valida” os direitos sociais do povo brasileiro.

A partir do que vivemos hoje, podemos fazer um recorrido histórico sobre os principais projetos realizados no Brasil:
- a começar pelo nacional desenvolvimentismo de Vargas dos anos 30-45; reforçado no seu retorno ao poder nos anos 50; passando pelo plano de metas de Kubitschek (56-60); se solidificando no regime militar (64-84), com a induzida renúncia de João Goulart; culminando na gestão neoliberal de FHC (95-2002) e, vive consequências (in)diretas na política “neo desenvolvimentista” no período Lula (2003-2011).

1. A população brasileira e sua composição
Segundo o IBGE, a população brasileira em 2010 é de 190.732.694. Deste total, 42,1% estão no sudeste, 27,8% no nordeste, 14,4% no sul, 8,3% no norte e 7,4% no centro-oeste.
Vale destacar que de 2000 a 2010, as populações do sudeste, nordeste e sul caíram em sua participação no total nacional, enquanto as regiões norte e centro-oeste tiveram um incremento.
Isto nos dá base para refletir tanto sobre o desigual processo de desenvolvimento capitalista industrial brasileiro, centrado nas regiões sudeste e sul, quanto do permanente fluxo migratório brasileiro em que boa parte de nossos trabalhadores, sai de seus territórios em busca de melhores condições de vida.

Segundo um estudo do IPEA, de 2003 a 2008 mais ou menos 3 milhões de brasileiros deixaram seu estado de origem. Estes migrantes são, em sua maioria, jovens entre 18 e 29 anos.

As maiores ondas de migração são do nordeste para o sudeste e dentro do sudeste. O perfil dos migrantes é distinto. Enquanto apenas 6,1% dos migrantes nordestinos apresentam 12 anos ou mais de escolaridade, entre os migrantes dentro da região sudeste este número vai para 23%.

Isto evidenciará uma defasagem salarial e uma tendência à informalidade maior no caso dos migrantes do nordeste para o sudeste, em comparação à maior inserção salarial formal de parte dos migrantes dentro do sudeste.

2. População por sexo, idade e taxa de fecundidade
No Brasil, enquanto as mulheres representam 51,1% da população (97.342.162), os homens somam 48,9% (93.390.532).

Isto significa dizer que existem 3,9 milhões a mais de mulheres no Brasil em relação aos homens. Isto fará uma diferença significativa na realidade brasileira, tanto no mercado de trabalho, quanto no perfil da nova família.

Enquanto as mulheres receberão menores salários, mesmo com mais tempo de escolaridade e a continuidade nas tarefas “ditas femininas”, os homens encontrarão uma situação contrária: melhores salários, menos tempo na escola, grande poder patriarcal.

Ao mesmo tempo, homens e mulheres têm reduzido o número de integrantes familiares. Sim, homens e mulheres!

A questão da fecundidade passa por uma reflexão profunda sobre a correta decisão da mulher de ter, ou não, um filho.

Passa pelo debate histórico sobre a conformação de um princípio de família e de feminino-masculino que instituiu no imaginário coletivo uma forma de ser que ora entra em xeque no Brasil e no mundo.

Nos anos 50´s, a taxa de fecundidade média era de 3,0% ao ano. Em 2010, esta taxa é de 1.17%. Se antes nossas famílias eram majoritariamente compostas por 6-7 integrantes, agora é possui dois, no máximo 3. Isto é fácil de ser visualizado no nosso cotidiano familiar pelo número de irmãos dos nossos avós, dos nossos pais, até chegar no nosso número de irmãos e em nossos filhos.

O reflexo disto é a diminuição do número de crianças até 4 anos, em contraposição ao aumento de pessoas com 65 para cima. Nos anos 90, o número de crianças de 0 a 4 anos era de 11,2% do total e a população com 65 anos ou mais, era de 4,8%. Em 2010 o grupo até quatro anos corresponde a 7,3%, enquanto o de 65 anos ou mais, 7,4%.

Aqui cabem dois debates centrais. 1º.: a nova composição das famílias brasileiras, com cada vez menor número de integrantes, 2º.: a mudança da pirâmide etária do Brasil, que nos próximos anos indicará um maior número de adultos e idosos, frente ao número de crianças e jovens.

O envelhecimento da população brasileira, somado à concentração da população nos perímetros urbanos e à precarização real das condições de vida da classe trabalhadora, relatam a quem este modelo de desenvolvimento capitalista favoreceu.

Um modelo centrado no avanço das forças produtivas, com supremacia para a técnica e com a progressiva retirada do Estado como regulador e promotor do bem estar social, expressa no século XXI as particularidades históricas desta aposta: um desenvolvimento desigual e combinado em que a classe que vive do trabalho, sobrevive em condições cada vez mais bárbaras de relações sociais e de produção própria de vida.

Nos próximos textos trabalharemos as questões: campo-cidade, salários e poder de compra real; desigualdades geracionais-raciais-gênero; e, por fim, o crédito e o endividamento familiar no Brasil.

domingo, 8 de maio de 2011

A morte de Osama 4 - Por Fidel Castro

Seguindo com as postagens sobre a morte, ou como sugere Fidel, o assassinato de Bin Laden, trago abaixo a opinião de Fidel Castro.


Abraços, Lavando Louças!



REFLEXÕES DE FIDEL
O assassinato de Osama Bin Laden


Por Fidel Castro, no site Gramma.cu


AQUELES que se ocupam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo se solidarizou com o dos Estados Unidos e deu a modesta cooperação que podíamos oferecer no campo da saúde às vítimas do brutal atentado às torres gêmeas do World Trade Center de Nova York.

Oferecemos também, de imediato, as pistas aéreas de nosso país para os aviões norte-americanos que não tivessem onde aterrissar, dado o caos reinante nas primeiras horas depois daquele golpe.

É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana, que se opôs sempre às ações que puseram em perigo a vida de civis.

Partidários decididos da luta armada contra a tirania batistiana, éramos, por outro lado, opostos por princípios a todo ato terrorista que conduzisse à morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, nos dá o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.

No ato público de massas efetuado na Cidade do Esporte expressei, naquele dia, a convicção de que o terrorismo internacional jamais se resolveria mediante a violência e a guerra.

Osama Bin Laden foi, certamente, durante anos, amigo dos Estados Unidos, que o treinou militarmente, e adversário da URSS e do socialismo, mas qualquer que fossem os atos atribuídos a ele, o assassinato de um ser humano desarmado e acompanhado de familiares constitui um fato nojento. Aparentemente, foi isso que fez o governo da nação mais poderosa de todos os tempos.

O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: "…sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O lugar vazio na mesa. As crianças que se viram forçadas a crescer sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 mil cidadãos se foram para longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações".

Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas recordem as guerras injustas desencadeadas pelos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão, as centenas de milhares de crianças que se viram forçadas a crescer sem sua mãe ou seu pai e os pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.

Milhões de cidadãos se foram para longe de seus povos no Iraque, Afeganistão, Vietnã, Laos, Cambodja, Cuba e outros muitos países do mundo.

Da mente de centenas de milhões de pessoas não se apagaram tampouco as horríveis imagens de seres humanos que em Guantánamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente submetidos durante meses e inclusive anos a insuportáveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas sequestradas e transportadas a prisões secretas, com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.

Obama não tem como ocultar que Osama foi executado na presença de seus filhos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis foram violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.

Como impedirá agora que as mulheres e os filhos da pessoa executada sem lei nem julgamento expliquem o ocorrido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?

Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather, difundiu por meio dessa emissora de televisão que em 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma hemodiálise do rim em um hospital militar do Paquistão. Não estava em condições de esconder-se nem de proteger-se em cavernas profundas.

Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstra medo e insegurança, convertem-no em um personagem muito mais perigoso.

A própria opinião pública dos Estados Unidos, depois da euforia inicial, terminará criticando os métodos que, longe de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.







Fidel Castro Ruz
4 de maio de 2011

A morte de Osama 3 - Antônio Luiz M. C. Costa



Bin Laden está morto. Missão cumprida?


Por Antonio Luiz M. C. Costa, no site da Carta Capital

Escreveu uma internauta retuitada pelo cineasta Michael Moore: “Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa”. Objetivamente, é pouco mais que isso. Embora (propositalmente?) anunciado no 66º aniversário do anúncio da morte de Adolf Hitler, o assassinato de Osama bin Laden não tem um significado comparável. A Al-Qaeda não é uma máquina de guerra convencional e centralizada à beira do colapso, como era o exército nazista em 1º de maio de 1945. Talvez resulte mais próximo do que foi o 1º de maio de 2003, quando Bush júnior anunciou a “missão cumprida” no Iraque, mas o problema mal estava começando.

Segundo os Estados Unidos, Bin Laden estava em uma confortável construção de três andares, cercada de muros de quatro a cinco metros ao lado de um colégio de elite e a dois quarteirões de uma delegacia de polícia na cidade turística de Abbottabad, a 116 quilômetros ou duas horas de estrada da capital, Islamabad (cerca de 55 quilômetros em linha reta). Em termos de Brasil, seria como estar em uma mansão em um dos bairros centrais de Campos do Jordão. Ou melhor, em Resende, visto que o local também está a uma breve caminhada de uma das principais academias militares do Paquistão.

Sohab Athair, um usuário do Twitter que se descreve como “um consultor de TI que deu um tempo para a corrida de ratos e escondeu-se nas montanhas com seu laptop”, cobriu a operação desde o início, sem saber exatamente o que se passava e a uns dois quilômetros do local: “helicópteros pairando sobre Abbottabad a uma hora da madrugada (é um evento raro)”. Ouviu explosão, tiros e as poucas pessoas acordadas àquela hora dizerem que pelo menos um dos helicópteros não era paquistanês. Entendeu que era uma situação complicada, mas pensou que era a queda de um helicóptero, como foi inicialmente divulgado na mídia paquistanesa. Compreendeu cinco horas depois, quando Barack Obama foi à tevê anunciar triunfalmente a morte do líder terrorista. “Lá se foi a vizinhança”, escreveu, melancolicamente.

O presidente dos EUA fez do anúncio um discurso cuidadosamente balanceado e um espetáculo muito bem montado. Como quem encarna um herói de Hollywood, iniciou com um “eu planejei, comandei e determinei a morte de Osama bin Laden” e encerrou com “Vamos sempre defender a Justiça e a Liberdade. Deus os abençoe e abençoe a América”. Deu as costas para a câmera e caminhou majestosamente pelo tapete vermelho até o fim do corredor, como um caubói que sai de cena cavalgando para o entardecer, enquanto aparecem os créditos finais.

Bush júnior teve um momento equivalente ao pousar um caça no porta-aviões Abraham Lincoln e fazer seu discurso de vitória sobre Saddam Hussein, com direito a tomadas igualmente heroicas e hollywoodianas. Conseguiu enganar o público o suficiente para ser reeleito em 2005, mas sua popularidade desmoronou em seguida e arrastou-se melancolicamente até o fim do segundo mandato. Obama repetirá o mesmo roteiro?

De qualquer forma, a curto prazo e do ponto de vista da política interna dos EUA, foi um golpe de mestre. Logo depois de reduzir ao ridículo o rival republicano Donald Trump e sua obsessão com a certidão de nascimento do presidente, Obama posa como o herói de guerra e hábil comandante. Em 40 minutos, com um pelotão de forças especiais da Marinha, atingiu o objetivo que Bush júnior garantiu visar durante dois mandatos, mobilizando para isso todo o aparato militar e de inteligência dos EUA e envolvendo o país em duas guerras inúteis e catastróficas para sua economia e relações internacionais.

Yes, we can? Obama não pôde cumprir as promessas de reformas sociais, ambientais e econômicas pelas quais foi eleito, nem sequer fechar a prisão de Guantánamo, mas ao menos cumpriu uma promessa do governo anterior. Pode ser o bastante para garantir sua reeleição, vista a fraqueza das candidaturas republicanas, mas é improvável que a aura da vitória se estenda sobre o resto do Partido Democrata nas eleições legislativas. Assim, o resultado será provavelmente a continuação do impasse político até 2016. A menos que o presidente consiga capitalizar a façanha a ponto de mobilizar a opinião pública em favor da política social e econômica democrata e soterrar a demagogia do Tea Party, o que até agora não se mostrou disposto a fazer.

Do ponto de vista internacional e do campo de batalha real, é pouco provável que a morte de Bin Laden mude o jogo. Sua importância pessoal sempre foi muito exagerada por uma mídia ansiosa por vilões. Mesmo a Al-Qaeda é apenas um aspecto do fundamentalismo islâmico, que é anterior a essa organização em particular, é muito mais amplo e não deixará de existir enquanto não mudarem as condições que o tornaram influente entre as massas muçulmanas humilhadas. A própria forma como foi morto basta para demonstrar que o problema é muito mais vasto. Bin Laden certamente não teria vivido anos em um centro urbano de alta classe média sem a cumplicidade total das Forças Armadas e do serviço de inteligência paquistaneses.