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terça-feira, 5 de julho de 2011

PIG: “Esses trabalhadores estão impossíveis”

Manchete do jornal Estado de Minas:
"Epidemia de greves é ameaça"

Por Rodrigo Dugulin, para o Lavando Louças

O PIG em Minas já está nos alertando há algum tempo. Quando abro o Estado de Minas, posso escutar: “Esses trabalhadores estão impossíveis! Por que ficam querendo melhores condições de trabalho, melhores salários??”

Depois dos trabalhadores das obras do Estádio Mineirão ficarem em greve, agora é a vez dos trabalhadores das obras da trincheira da Avenida Antônio Carlos, que fica na região do estádio. O que eles reivindicam? Coisas absurdas, como hora extra de 100%, plano de saúde, fornecimento de refeições, tíquete alimentação, participação nos lucros, equiparação do salário com os trabalhadores das obras do Mineirão (que conseguiram 4% de aumente com a greve) e de melhores condições de trabalho. Ah, além disso tem a exigência absurda de que os banheiros químicos da obra sejam lavados mais de uma vez por semana, que a feijoada tem mais carne e menos osso e que o pão venha com manteiga!!! Quem esses operários pensam que são!?




segunda-feira, 4 de julho de 2011

#Eblog, muito mais que virtual: Anticapitalista e libertário

#Eblog, muito mais que virtual: Anticapitalista e libertário
Quem somos
O #Eblog é um grupo de blogueir@s de esquerda, unidos ao redor das bandeiras anticapitalista, antirracismo, antihomofobia, antimachismo, feminista, ecossocialista, em defesa dos povos indígenas e quilombolas, sobretudo pelas lutas cotidianas das trabalhadoras e dos trabalhadores pela emancipação de sua classe internacionalmente, que defende uma concepção material de democracia socialista, revolucionária, de baixo para cima e feita e vivida e instaurada cotidianamente pelos de baixo, isto é, que não se restrinja à democracia capitalista liberal e sua liberdade formal e seus direitos abstratos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A queda de Aécio e a imprensa em Minas

Reproduzo texto de Luana Diana dos Santos, publicado no blog Viomundo
22/06/2011


No último domingo acordei ao som das gargalhadas do meu irmão. Ao perguntá-lo o motivo de tanta alegria às 7 da manhã, fui informada que Aécio Neves havia caído do cavalo. A princípio, pensei que fosse piada. Após uma olhada rápida no twitter, descobri que não havia nenhuma figura de linguagem na queda do senador tucano. O acidente lhe custou cinco costelas  e a clavícula direita quebradas.

Na padaria não havia outro assunto. Enquanto tomava meu cafezinho acompanhado por um pão com manteiga, observava um grupo de senhores de meia idade organizarem  um ‘bolão’ dos motivos do tombo do ex-governador. Sei que é pecado rir da desgraça alheia, mas foi difícil me conter diante das apostas:  “O cavalo deve ter sido presente do Serra”…”A eguinha ‘pocoPó’ se rebelou contra a tucanada”…risos….

sábado, 11 de junho de 2011

Os “guardiões da língua”

Reproduzo aqui excelente crônica de Luiz Ricardo Leitão, do site do Brasil de Fato.


Desenho tirado do blog  LiterAtos


O mês de Maio foi pródigo para os cronistas de Bruzundanga
08/06/2011
Luiz Ricardo Leitão


O mês de maio foi pródigo para os cronistas de Bruzundanga. São tantos desatinos a cargo dos próceres da República, que muitos não saberiam nem por onde começar. Poderíamos, por exemplo, tratar da cruzada em prol da moral, da família e dos “bons costumes”, que o fanfarrão Bolsonaro e a tal bancada “evangélica” do Congresso deflagraram contra a cartilha anti-homofobia do MEC. Ou, ainda nas lides parlamentares, analisar a aprovação pela Câmara do novo Código Florestal, fruto de um insólito acordo entre um deputado comunista (?) e seus pares do latifúndio, que ganharão carta branca para o desmatamento da Amazônia. Quem sabe relembrar as estrepolias do abastado (e abestado) ministro Palocci, prato cheio para a mídia, o tucanato & Cia. Isso sem falar em Blatter, Havelange & Teixeira, os reis do “jogo sujo” na FIFA, cujas maracutaias os ingleses prometeram investigar com rigor...

Este dublê de cronista e professor de Letras não se furtará, porém, a abordar o recente “protesto” que alguns órgãos da grande mídia incentivaram contra a posição do MEC de avalizar uma obra didática que reconhecia o uso da expressão “os livro”. Sem nenhuma formação mais profunda na área, jornalistas e oportunistas de plantão chegaram a classificar de “crime linguístico” a atitude do órgão, um exagero só explicável, talvez, pela forma belicosa e artificialmente ideologizada mediante a qual são tratados temas do mais relevante interesse público em nosso país.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Por que a Folha não mostrou?

por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador.


No domingo, a “Folha” publicou – com grande estardalhaço – a lista de parlamentares que possuem emissoras de rádio e TV – ou que mantêm as emissoras em nome de parentes. A reportagem, na edição impressa, remetia o leitor para a “lista completa” que podia ser lida na internet, no UOL. E esclarecia que o material tinha sido preparado pelo Ministério das Comunicações.


Esse blogueiro estranhou, como se pode ler aqui, que a reportagem da “Folha” não citase o senador Aécio Neves – impulsivo e notívago líder da oposição. Recentemente, como se sabe, Aécio foi flagrado numa blitz da Lei Seca no Rio. Recusou-se a fazer o teste do bafômetro. Deve ter as razões dele… O mais interessante: investigações posteriores mostraram que o carro dirigido pelo senador estava em nome da rádio Arco-Íris, que tem a irmã e a mãe de Aécio como sócias, em Minas – como se pode ler aqui. Toda a imprensa divulgou a história (de forma discreta, claro, porque tucanos em geral não devem ser incomodados com essas bobagens).

Estranhei que a rádio da família de Aécio não estivesse na reportagem da “Folha”. E cheguei a supor que omissão se dera porque Aécio e família também  não constassem da lista original do Ministério – que suscitou a reportagem…

Mas eis que vários leitores alertam-me para o detalhe: na lista original, consta, sim, uma tal “Rádio Colonial FM Ltda” (em nome da irmã de Aécio)!

A Rádio Colonial e a Rádio Arco-Íris são a mesma coisa? Uma é nome fantasia a outra é o nome da empresa? Ou é uma segunda rádio? Tema  ser melhor apurado…

Vejam, na página 250 da lista, o nome da irmã de Aécio, Andréa Neves (que, dizem, é a mentora do impulsivo líder da oposição):



O relatório completo do ministério pode ser acessado nesse link.

Opa, a situação então ficou mais estranha!

A “Folha” incluíra na reportagem de domingo casos de parlamentares que colocam rádios em nome de parentes. A irmã de Aécio está na lista! E Aécio não aparece na reportagem!

Precisa dizer mais alguma coisa?

Como disse a Ângela – uma das leitoras que me alertaram para o fato: “A Folha só não deu mesmo porque não quis”.

Imaginem se houvesse uma rádio no nome da irmã de Lula? Ou da prima do Zé Dirceu? A “Folha” ia “esquecer” de incluir na reportagem?

Aécio não é qualquer um: trata-se do proclamado “novo líder da oposição”.

A “Folha” também não é qualquer uma. Na direção do jornal está Judith Brito, que anunciou ano passado de forma taxativa: como os partidos da oposição estão em crise, cabe à imprensa fazer oposição!

Ok! Mas, desse jeito, não, Judith! Fica feio demais… Brigar com os fatos vai deixar a imprensa de oposição tão fraca quanto a oposição partidária demotucana – que também briga com os fatos há 9 anos!

Desse jeito, de oposição verdadeira mesmo vão sobrar apenas o PMDB e o Palocci.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quando a língua se transforma em objeto de manipulação ideológica e controle social

Do site do Instituto Humanista Unisinos - IHU



Marcos Bagno, doutor em filologia e língua portuguesa, acredita que a discussão sobre as variações linguísticas dos livros do MEC refletem a falta de conhecimento da mídia.

Por: Anelise Zanoni, Isaque Correa, Márcia Junges e Patricia Fachin

Depois da discussão sobre o conteúdo dos livros didáticos oferecidos pelo governo, em que são apresentados supostos erros de português, o doutor em filologia e língua portuguesa Marcos Bagno é taxativo: a polêmica que envolve o assunto é falsa. Na opinião do especialista, que conversou por e-mail com a IHU On-Line, a mídia seria a grande responsável por criar o debate.

“Como a grande mídia é, em bloco, aliada dos grupos dominantes e, portanto, antipetista declarada, o episódio está servindo para se atacar o governo Dilma via MEC”, avalia.

De acordo com seus estudos e experiências, o fato de alguém pronunciar uma palavra de uma forma ou outra nada tem a ver com a constituição da linguagem, “mas sim com uma esfera diferente, que é a da normatização da língua, um fenômeno sociocultural em que a língua se transforma em objeto de manipulação ideológica e controle social”. Além disso, é importante destacar que a constituição do padrão sempre se pautou, tradicionalmente, pela linguagem literária.

“Por isso, a norma padrão é tão obsoleta e anacrônica: não se inspira na realidade dos usos, nem mesmo nos usos escritos da literatura contemporânea, mas numa literatura que data de mais de 200 anos”, explica Bagno.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Rádio é fechada no RJ depois de oito meses de funcionamento

Reproduzo postagem do Blog do Levante Popular da Juventude,

Fonte: Site da Fiocruz

No dia Internacional da Liberdade de Expressão (3/5), os equipamentos da rádio comunitária Santa Marta, que fica na Vila Santa Marta, no Rio de Janeiro, foram apreendidos pela Polícia Federal e pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Dois dos coordenadores da rádio foram levados para prestar depoimento. MC Fiell é um deles. Confira um trecho da entrevista que o rapper concedeu a Raquel Júnia, da Fiocruz.

Que desafios as rádios comunitárias têm hoje?

A burocracia da lei de rádio é para você não ter rádio mesmo. Um dos maiores problemas dentro do capitalismo é grana. É uma armadilha, eles mesmos fazem os trâmites para o povo não ter o acesso. Mas sabemos dos problemas e vamos avançando. Em nossa rádio, por exemplo, fazemos festa para arrecadar grana, vendemos produtos como as camisetas da rádio, dando jeitos sem comercializar a rádio. Essa lei precisa ser mudada, senão o povo não terá acesso a esse direito. Só as rádios comunitárias não podem fazer propaganda. Enquanto isso a maioria das rádios comerciais estão irregulares, e têm as concessões renovadas automaticamente. Só o povo é punido e podado dos seus direitos.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Brasil: cenário de guerra!!!

Companheiros e companheiras do Lavando Louças,


as cenas da reportagem a seguir não foram gravadas na Líbia, ou em qualquer outro país árabe. Não são cenas das recentes guerras que tivemos a oportunidade de ver pelos grandes canais de televisão...


Essas cenas aconteceram na semana passada, dia 18/05/2011, na cidade de Aracruz/ES. Essas cenas de guerra mostram o exército dos donos do Brasil contra o seu principal inimigo: o povo brasileiro que quer viver!


A seguir reproduzo o texto que acompanha o vídeo no YouTube (para ver no site do YouTube, clique aqui) e abaixo veja o vídeo.


Foto: Nestor Müller

Cerca de 400 policiais do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar realizam uma operação, na manhã desta quarta-feira (18), para retirar os cerca de 1,6 mil ocupantes de uma área da Prefeitura de Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A ação ocorre no distrito de Barra do Riacho.

Segundo alguns moradores, a polícia usou de violência ao fazer a desocupação, disparando contra os ocupantes bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo. Alguns moradores passaram mal, outros ficaram feridos e tiveram de ser socorridos. Eles garantem que não haviam oferecido resistência à ação policial.

O Executivo Municipal já iniciou também a demolição das 312 casas de alvenaria, de cerca de 30 a 40 metros quadrados cada, que foram construídas no local pelos ocupantes. A área, que chegou a ser batizada pelos moradores como bairro Nova Esperança, será utilizada para a construção de 200 casas do Programa Minha Casa Minha Vida. As obras, segundo a prefeitura, devem ter início ainda este ano.

Por volta das 16 horas desta terça-feira (17), viaturas policiais cercavam a área e o clima era de tensão entre os moradores. A prefeitura havia conseguido um mandado judicial de reintegração de posse da área pública há cerca de seis meses. No entanto, os moradores alegam que não haviam recebido nenhuma ação de despejo e nunca foram procurados pela administração municipal para negociar.


Eles afirmam que, como a construção das casas do Programa Minha Casa Minha Vida ainda não havia tido início no local, resolveram ocupar o terreno, há cerca de um ano. Os ocupantes não aceitavam deixar o local. Segundo eles, com a aproximação da polícia, era disparado um alarme sonoro e pessoas soltavam fogos de artifício para alertar e mobilizar toda a população local. Além disso, foram feitas barricadas nos acessos.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

A morte de Osama 2 - Por Elaine Tavares






Seguindo com as postagens, colocamos agora o artigo da jornalista Elaine Tavares. 


Abraços,
Lavando Louças




Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato
04/05/2011

Elaine Tavares

Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e, com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

Elaine Tavares é jornalista

A morte de Osama 1 - Por Frei Betto





Companheiros e companheiras,

essa é a primeira de várias postagens sobre a morte de Osama Bin Laden e a cobertura da grande mídia sobre o fato.

Gostaríamos de começar com um artigo do Frei Betto, que nos leva a olhar o fato sob um lado que passa desapercebido pela grande mídia.

Abraços,
Lavando Louças


Frei Betto*

05/05/2011

Estranho que a CIA, ao declarar que assassinou Osama Bin Laden, não tenha exibido o corpo, como fez à sobeja com outro “troféu de caça”: Ernesto Che Guevara.

Bin Laden saiu da vida para entrar na história. Até aí, nada de novo. A história, da qual poucos têm memória, está repleta de bandidos e terroristas, cujos nomes e feitos quase ninguém lembra. Os mais conhecidos são o rei Herodes; Torquemada, o grande inquisidor; a rainha Vitória, a maior traficante de drogas de todos os tempos, que promoveu, na China, a Guerra do Ópio; Hitler; o presidente Truman, que atirou bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki; e Stálin.

O perigo é que Osama passe da história ao mito e, de mito, a mártir. Sua morte não deveria merecer mais do que uma nota nas páginas interiores dos jornais. No entanto, como os EUA são um país necrófilo, que se nutre de vítimas de suas guerras, Obama transforma Osama num ícone do mal, atiçando o imaginário de todos aqueles que, por alguma razão, odeiam o imperialismo estadunidense.

Saddam Hussein, marionete da Casa Branca manipulada contra a revolução islâmica do Irã, demonstrou que o feitiço se volta contra o feiticeiro.

Desde 1979, Osama bin Laden tornou-se o braço armado da CIA contra a ocupação soviética no Afeganistão. A CIA ensinou-o a fabricar explosivos e realizar ataques terroristas, movimentar sua fortuna através de empresas-fantasmas e paraísos fiscais, operar códigos secretos e infiltrar agentes e comandos.

“Bin Laden é produto dos serviços americanos”, afirmou o escritor suíço Richard Labévière. Derrubado o Muro de Berlim, desde 1990 Bin Laden passou a apontar seu arsenal terrorista para o coração de Tio Sam.

O terrorismo é execrável, ainda que praticado pela esquerda, pois todo terrorismo só beneficia um lado: a extrema-direita. Na vida se colhe o que se planta. Isso vale para as dimensões pessoal e social. Se os EUA são hoje atacados de forma tão violenta é porque, de alguma forma, eles se valeram do seu poder para humilhar povos e etnias. Há décadas abusam de seu poder, como é o caso da ocupação de Porto Rico; a base naval de Guantánamo encravada em Cuba; as guerras ao Iraque e Afeganistão e, agora, à Líbia; a participação nas guerras da Europa Central; a omissão diante dos conflitos e das ditaduras árabes e africanas.

Já era tempo de os EUA, como mediadores, terem induzido árabes e israelenses a chegarem a um acordo de paz. Tudo isso foi sendo protelado, em nome da hegemonia de Tio Sam no planeta. De repente, o ódio irrompeu da forma brutal, mostrando que o inimigo age, também, fora de toda ética, com a única diferença de que ele não dispõe de fóruns internacionais para legitimar sua ação criminosa, como é o caso da conivência da ONU com os genocídios praticados pela Casa Branca.

Quem conhece a história da América Latina sabe muito bem como os EUA, nos últimos 100 anos, interferiram diretamente na soberania de nossos países, disseminando o terror. Maurice Bishop foi assassinado pelos boinas verdes em Granada; os sandinistas foram derrubados pelo terrorismo desencadeado por Reagan; os cubanos continuam bloqueados desde 1961, sem direito a relações normais com os demais países e uma parte de seu território, Guantánamo, continua invadida pelo Pentágono.

Nas décadas de 1960 e 70, ditaduras foram instauradas no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai, na Bolívia, na Guatemala e em El Salvador, com o patrocínio da CIA e sob a orientação de Henry Kissinger.

Violência atrai violência, dizia dom Helder Câmara. O terrorismo não leva a nada, exceto a endurecer a direita e suprimir a democracia, levando os poderosos à convicção de que o povo é incapaz de governar-se por si mesmo. Vítimas inocentes não podem ser sacrificadas para satisfazer a ganância de governos imperiais que se julgam donos do mundo e pretendem repartir o planeta como se fosse fatias de um apetitoso bolo. Os atentados de 11 de setembro de 2001 demonstraram que não há ciência ou tecnologia capazes de proteger pessoas ou nações. Inútil os EUA gastarem trilhões de dólares em esquemas sofisticados de defesa. Melhor seria que essa fortuna fosse aplicada na paz mundial, que só irromperá no dia em que ela for filha da justiça.

A queda do Muro de Berlim pôs fim ao conflito Leste-Oeste. Resta agora derrubar a muralha da desigualdade entre Norte-Sul. Sem que o pão seja nosso, nem o Pai e nem paz serão nossos.


* Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de Conversa entre a fé e a ciência (Agir), entre outros livros.

Publicado originalmente no jornal Estado de Minas, edição de 05/05/2011http://twitpic.com/4tmujf

terça-feira, 5 de abril de 2011

As modernas Capitanias Hereditárias

O prof. de Direito da PUC-SP, Pedro Estevam Serrano, em sua coluna na Carta Capital (para ler a coluna, clique aqui) trás de forma bastante esclarecedora como se dão as concessões de rádio e TV no Brasil. Como frisa o professor, por se tratar de um espaço limitado (pois se forem excessivos, os sinais de um veículo começam a interferir no de outros), trata-se de um serviço público concedido a particulares. Em seu artigo, Pedro Estevam destaca como essas concessões são renovadas quase que automaticamente, tornando assim, modernas Capitanias Hereditárias.

Confesso que gostei do artigo, mas fiquei pensando que se trata de modernas Capitanias Hereditárias por um motivo que o professor não mencionou. Apesar de mencionar em seu artigo que um sistema democrático pressupõe uma pluralidade de opiniões, não é mencionado o fato de que as concessões são feitas apenas para algumas pessoas, em detrimento de outras. E não são quaisquer pessoas, pois os próprios parlamentares detém em torno de 75% das concessões de rádio e TV no Brasil. E que apenas 11 famílias controlam a maior parte das informações que circulam no país, como é bem ilustrado no documentário “Levante sua voz”, do Coletivo de Comunicação Intervozes.

Essa grande concentração dos meios de comunicação reforça ainda mais a metáfora do professor Pedro Estevam com as Capitanias Hereditárias, além de deixar às claras que no Brasil não existe o direito constitucional de livre expressão, de informar e ser informado.

Abaixo, segue o documentário “Levante sua voz”, em duas partes.






sexta-feira, 25 de março de 2011

Capa do Brasil de Fato 421

Manipulação da Mídia

Companheiros e companheiras que acompanham o Lavando Louças,

para quem não teve um contato mais de perto com os debates da comunicação, ou mesmo à forma como se faz comunicação, seja uma reportagem, escolha das pautas, os bastidores de uma redação, etc e etc, a manipulação da mídia pode facilmente se tornar algo abstrato, mesmo para as pessoas que acreditando e compreendem que ela ocorre.
Essa manipulação se dá desde a escolha das pautas que vão para o ar, deixando outras fora do ar, até à forma que as perguntas são feitas, mas principalmente pela edição final.

O vídeo abaixo, feito por estudantes do ensino médio, mostra de forma bem simples como se dá essa manipulação. Vale a pena assistir.

Manual prático da manipulação da mídia


sexta-feira, 18 de março de 2011

A bondosa Camargo Corrêa e seus trabalhadores vândalos!

Na faculdade de jornalismo tínhamos um ditado que dizia: “Pior do que não ler nenhum jornal por dia, é ler somente um!”. E esse ditado se mostra verdadeiro a cada vez que assisto o Jornal Nacional, depois de ter passado ao longo do dia por sites de notícias e outros jornais que assumem um posicionamento diferente da Globo.

Só não falam para quem é essa riqueza gerada!
Tomemos como exemplo o caso dos trabalhadores das obras de construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, que esteve presente  nos noticiários nessa semana. O Jornal Nacional exibiu uma reportagem, na qual William Bonner narra o que aconteceu. O destaque da reportagem é a retirada de 8 mil trabalhadores feito pela empresa Camargo Corrêa, que vai pagar hotel ou a passagem para aqueles que quiserem ir embora. Puxa vida, além disso, a empresa disponibilizou um número de telefone para os trabalhadores e familiares terem informações sobre o andamento dos acontecimentos. Essa empresa é bacana mesmo.

Mas fica uma perguntar no ar: porque tudo isso aconteceu?? Nossa, a Globo com toda a sua equipe, numerosa e bem qualificada, não conseguiu apurar isso?? Na reportagem eles simplesmente dizem que tudo começou com um briga entre motoristas dos ônibus e os trabalhadores. Essa briga, fez com que mais de 300 trabalhadores "de repente" começassem a cometer atos de “vandalismo”, incendiando alojamentos e outros estabelecimentos. Nossa, mas isso não foi o suficiente para acalmar os ânimos dos “vândalos”, pois depois eles fecharam a principal BR do estado. Essa briga deve ter sido feia mesmo, hein!? Acho engraçado é o fato da Globo não ter tido a curiosidade de ir perguntar para os trabalhadores o que aconteceu.

O governo do estado enviou o choque para
controlar os vândalos
Uma nota divulgada pelo Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) divulgada nessa semana traz várias informações que a Globo se “esqueceu” de apurar. Primeiro, a nota traz a situação a que os trabalhadores ali estavam submetidos. Superexploração, com salários extremamente baixos e longas jornadas de trabalho, epidemias de doenças e sem atendimento de saúde adequado, falta de segurança e ameaças de demissão e transporte de péssima qualidade. Opa!!! Olha ai o que pode ter causada a tal briga entre motoristas e trabalhadores. E nesse quadro, isso teria sido somente o estopim para tanto, como diz a Globo, vandalismo.

A nota ainda traz uma outras informação bastante interessante, sobre a "bondosa" Camargo Corrêa.  As .  mesmas empresas, pois fazem parte do consórcio a Suez, transnacional francesa, e a Eletrosul, foram denunciadas em recente relatório de violação de Direitos Humanos, aprovado pelo Governo Federal, que constatou que existe um padrão de violação dos direitos humanos em barragens e de criminalização, sendo que 16 direitos têm sido sistematicamente violados na construção de barragens”.

E os atingidos, como ficam?
E olha que nem se ouviu falar também da situação dos atingidos, a qual lembra bem a nota do MAB: "os atingidos por barragens e os operários tem sido as principais vítimas".

Pois é, “pior do que não ler nenhum jornal por dia, é ler somente um!”.

Por isso, indico a reportagem feita pela Radioagência NP, que ouviu sindicalistas e os atingidos, contando como tudo começou. A Globo realmente se esqueceu de muita coisa.

- Reportagem da Radioagência NP

Abaixo, links para a reportagem do Jornal Nacional e para a nota do MAB, divulgado no site do Jornal Brasil de Fato:


segunda-feira, 14 de março de 2011

Em comemoração ao 8 de março, Jornal da Globo explica porque as mulheres ganham salários menores

O Blog Jornalismo B postou no dia 10 de março um excelente comentário sobre uma reportagem que foi ao ar no Jornal da Globo também no dia 10. A postagem intitulada “Para o Jornal da Globo a culpa é do oprimido” traz uma excelente releitura, que considero bastante didática, da reportagem.

Em resumo, a culpa da escravidão ter existido no Brasil é que o escravo se deixava escravizar; dos desempregados não terem empregos é por eles serem preguiçosos e não gostarem de trabalhar; das mulheres ganharem menos no mercado de trabalho é porque elas não pedem aumento!!!

Para terem noção do absurdo que é, somente vendo a reportagem. Abaixo seguem dois links, um da postagem do Jornalismo B e outro da reportagem do Jornal da Globo.

Em tempo:
Uma companheira, depois de ver essa postagem, lembrou de uma música gravada pelo Seu Jorge que trata justamente desse tema: "Problema Social". E como diz no refrão:
"Se eu pudesse eu não seria um problema social"




sexta-feira, 11 de março de 2011

Documentário: "Mídia independente em tempos de guerra"

Companheiros,
esta postagem é para divulgação desse excelente documentário que fala da maneira da Mídia estadunidense tratar a notícia. Valeu ressaltar que a nossa mídia (Globo, Record, Folha de SP, etc.) reproduzem o modelo de lá e, mais além, a maioria das notícias internacionais que chegam até nós, vem de agências de notícias estadunidenses.

Tive contato com esse documentário através do Blog "Jornalismo B". Os companheiros desse blog estão de parabéns pelo trabalho que tem feito. Outro blog que também está divulgando esse documentário e que postou esses vídeos no Youtube é o Blog "Doc Verdade", que conheci hoje e já vou incluir na lista de blog's recomendados.

Abaixo segue o texto dos companheiros do "Doc Verdade" e as três partes do documentário.

Abraços!



Mídia Independente em Tempos de Guerra - Independent Midia in a Time of War (2003)
(EUA, 2003, 30min – Direção: Amy Goodman)

É com muita honra que postamos um dos mais importantes documentários para transformar o mundo em algo mais justo.

Amy Goodman, uma das cabeças da mídia independente “Democracy Now” - que transmite para mais de 800 TV's e rádios alternativas - disseca formidavelmente a mídia tradicional americana no contexto da guerra.


Além disso, mais do que outro filme mostrando o obscuro papel da mídia, é um excelente alarme sobre o perigo de estarmos a mercê de um monopólio midiático, controlado por grupos e corporações com interesses muito distintos da população mundial.Só para ter uma idéia, os canais FOX, MSNBC e a NBC pertencem a um dos maiores fabricantes de armas nucleares do mundo.Mais importante ainda é que o filme é também um chamado para mudarmos esse panorama, para desafiarmos esse monopólio.


“Independent Mídia in a Time of War” é um documentário que todo jornalista honesto, todo estudante, todo ativista e toda pessoa com sede de informação deveria assistir.“Nós temos que lutar por uma mídia independente”